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Profissionais de saúde arriscam suas vidas por salários medíocres

Publicado em: 12/05/2021

Autor: Antonio Tuccilio, presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

Profissionais de saúde arriscam suas vidas por salários medíocres 

Em temos de pandemia, sempre vêm à mente aqueles que lutam a favor da vida, fazendo o seu melhor para salvar as pessoas infectadas. Estamos falando dos médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e todos os demais profissionais anônimos que viram noites, fins de semana e feriados para impedir a vitória do vírus. Não é exagero chamá-los de heróis, pois fazem o possível e, às vezes, até mesmo o impossível, para salvar vidas, mesmo que isso signifique arriscar suas próprias vidas. Segundo o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), foram mais de 500 vidas perdidas somente entre profissionais de enfermagem. O Conselho Federal de Medicina (CFM) contabiliza quase o mesmo número de óbitos de médicos.

 

Todos concordamos que é mais do que justo que os heróis da saúde sejam reconhecidos e recebam salários dignos, certo? Infelizmente, isso está longe da realidade. Em muitos casos, a remuneração é péssima para esse serviço essencial.

 

Levantamento da revista Piauí feito no ano passado mostrou que um médico clínico ganha em média R$ 9 mil mensais. De acordo com o portal salario.com, enfermeiros e técnicos de enfermagem ganham, respectivamente, R$ 4 mil e R$ 3 mil cada. Não é necessária muita reflexão para concluir que esse não é salário justo para quem se arrisca em plantões e só tem uma folga por semana.

 

Enquanto isso, a outra face da moeda. Os deputados federais, com jornadas reduzidas, no aconchego do home-office ou nos seus escritórios com vários assessores, recebem o triplo de um médico e 8 a 10 vezes mais que enfermeiros e técnicos de enfermagem.

 

Não vou entrar na discussão se o salário dos nobres deputados é injusto. O ponto central é a discrepância entre os heróis da saúde e a classe política.

 

O que é, sim, injusto são os R$ 200 mil mensais somados aos salários que os parlamentares recebem como penduricalho. Somando todos os 513 deputados federais, essa “ajuda de custo” sobe para R$ 91 milhões por mês. Dá R$ 1 bilhão por ano! O que médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem não fariam com esses recursos!

 

Isso sem dizer que muitas categorias essenciais, como da saúde, educação e segurança, não veem aumento digno há anos. Bonificações, nada. E, mesmo assim, ainda é possível que não haja reajuste dos salários por anos se o governo conseguir aprovar seu plano de contingência de gastos.

 

Renovo aqui meu respeito aos profissionais de saúde por tudo o que estão fazendo. São servidores que, mesmo sem condições ideais, seja em Unidades Básicas de Saúde das periferias ou em cidades pequenas do interior, não deixam de cumprir o que juraram fazer. É triste e revoltante pensar que esses profissionais recebem muito pouco. Se comparamos com os salários e as mordomias de deputados aí o sentimento muda para revolta.

 

O Brasil é um país de grandes injustiças. Essa é uma de muitas.